Lembrando que, em 1900, a expectativa de vida nos Estados Unidos era de 47 anos e, hoje, é de 78 (no Brasil é de 73), o repórter conjectura: “não seria espantoso que, no decorrer do século 21, a sobrevivência humana com saúde fosse acrescida de mais sessenta anos, o que levaria a idade média para bem mais de 100”.
O sonho da “eterna juventude” é antigo e povoa a mente de todos nós. E o Senhor colocou à nossa disposição recursos naturais cuja utilização nos permite viver de maneira saudável. Porém, a definição dos limites da existência, em última instância, escapa ao controle do ser humano. Por essa razão, o mais importante é que vivamos intensamente cada momento, aproveitando cada oportunidade para refletir a excelência de Cristo através de nossa maneira de ser e agir, trabalhando diligentemente em busca de nossos objetivos pessoais, familiares e vocacionais, empenhando-nos na construção de uma existência cada vez mais abundante e frutífera em todos os sentidos.
Jesus Cristo disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10:10). Isso significa vida total, plena, e que nem sempre é caracterizada pela extensão, mas pela qualidade, como foi a vida do próprio Cristo. Ele nasceu na obscuridade, teve infância, juventude e vida adulta caracterizadas pela simplicidade e pureza de caráter. Foi uma curta existência – apenas trinta e três anos e meio – mas repleta de realizações: curou, ensinou, aconselhou, perdoou, repreendeu, aceitou pobres e ricos, atraiu marginalizados da sociedade, restaurou vidas tanto no sentido espiritual como físico. Como diria Napoleão, “estabeleceu um império baseado no amor; e, hoje, milhões estariam dispostos a morrer por Ele”.
A natureza, em seus fenômenos mais singelos, parece nos ensinar que é a qualidade, não apenas a extensão, que dignifica a vida. O espinho da rosa dura sempre mais; contudo, não espalha o mesmo bem que a pétala. Também não é a aparência aos olhos dos homens que provará a qualidade da existência. O orvalho cai abençoando a terra, quando todos dormem. Na escuridão da noite, ninguém o louva; mas ele realiza fielmente seu trabalho. Não podemos ver a brisa refrescante, mas sentimos os benefícios que ela nos proporciona. Quase nada se fala a respeito do alicerce de uma construção, embora muito seja dito sobre sua fachada. Esta, no entanto, não existiria sem aquele.
Embora não seja pecaminoso o desejo de viver muito, não é a longevidade, mas a utilidade que caracteriza a vida abundante oferecida por Jesus. Muito menos ela é caracterizada pela ostentação egoísta, afetação e vaidade, mas pela simplicidade e pelo serviço altruísta. Todos os nossos atos devem revelar a constante perseguição do supremo objetivo da existência humana: glorificar a Deus e revelar Seu caráter ao mundo. Nisso devemos empregar o melhor das nossas faculdades físicas, intelectuais e espirituais. O segredo para o êxito nessa empreitada é a submissão irrestrita à vontade e ao plano de Deus para nossa vida. Ele reserva para Si o total conhecimento desse plano, mas nos assegura que diariamente podemos nos deparar com o que de nós é requerido ser e fazer. Faz isso para que nossa confiança esteja inteiramente nEle, em vez de centralizar-se em nós mesmos. Ele está pronto a orientar em tudo o que contribua para que vivamos da melhor maneira, felizes em cumprir Seu querer.
Sendo a vida um dom de Deus, não importa quão extensa ou reduzida ela seja, deve ser vivida de maneira excelente, conforme o conselho de Paulo: “Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios” (Ef 5:15).
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